No meio do caminho, um incômodo no tendão de Aquiles

No meio do caminho, um incômodo no tendão de Aquiles

 

 

No meio do caminho, um incômodo no tendão de Aquiles

Tales Camargo Galbier*

Fechei o ano de 2018 da melhor maneira: conquistei vaga para dois Mundiais, o Nice 70.3 e o Ironman Kona, o campeonato Mundial de Ironman. As duas provas acontecem no segundo semestre deste ano. Para não me acomodar e já entrar na rotina de treinos, me inscrevi no Ironman Florianópolis, que aconteceu no último dia 26 de maio.

Realizei um dos melhores ciclos de treinos, mesmo com a rotina de aulas como personal e as dificuldades de se treinar em São Paulo. Fiz ótimos treinos de bike, me dediquei mais à natação. A corrida, que sempre tive mais facilidade, desta vez foi meu calcanhar de Aquiles, literalmente. Depois de um treino de bike de 180 quilômetros no sábado, no domingo fui fazer o meu longo de corrida dentro da maratona de São Paulo. Um percurso difícil, com subidas e descidas. Corri super bem, abaixo de 3h nos 42km.

Porém, após a prova começou um grande incômodo no tendão de Aquiles. No dia seguinte já fui para a fisioterapia e iniciei o tratamento. Não cheguei a parar de correr, só diminui o volume, a duração das corridas. Mas não foi o suficiente, a inflamação no tendão não melhorava. Na semana da prova em Florianópolis, corri apenas uma vez, e mal consegui voltar para casa andando. Pensei: ‘Vou descansar até domingo, e irá dar tudo certo na prova’.

Infelizmente não foi assim. Na saída da natação para transição já senti uma forte dor. Subi na bike e comecei a pedalar. Quando fazia um pouco mais de força, a dor aumentava. Finalizando a primeira volta da bike, que tinha 90 quilômetros, tive certeza que a melhor escolha seria parar.

Foram 2h25 na bike. Enquanto peladava, pensava o quanto eu tinha treinado, quantos dias acordando cedo e me empenhando para estar ali, sem contar a parte financeira envolvida.

PAREI.

Tenho certeza que foi a decisão correta. Meu grande objetivo é a Kona, e preciso estar 100% para competir entre os melhores. 

A partir de então estou em tratamento intensivo, na fisioterapia, de segunda a sexta, fazendo todo trabalho de fortalecimento e diminuição do processo inflamatório, e ainda os exercícios complementares que faço em casa.

Nestes momentos, temos que manter a motivação nas outras modalidades, sem perder o foco tanto nos treinos, quanto na alimentação e suplementação. Esse tripé auxilia muito na recuperação.

Mesmo em uma fase de manutenção como esta, é muito importante a ingestão certa de carboidratos e proteínas, tanto para não haver perda de massa magra (catabolismo) ou, o que é ainda pior para um atleta, o ganho de peso (gordura), que depois acaba ficando bem mais difícil retornar ao condicionamento físico.


Não deixei de buscar por nenhum momento o meu objetivo principal: voltar a correr o quanto antes. Para isso, alinhei a recuperação da lesão e fortalecimento com a manutenção dos bons hábitos alimentares e a suplementação necessária.

Estou nadando e pedalando, e acredito que em torno de 10 dias voltarei a correr para me preparar para os grandes desafios que vem por aí. 

 

***

 

* Tales é educador físico há mais de 15 anos. Foi atleta de fisiculturismo até os 25 anos. Em 2005, começou a praticar corrida de rua, e em 2008 migrou para o Triathlon. Desde então, participou de todas as distâncias e modalidades, desde o Short Triathlon até competir o Ultraman UB515, em 2016, prova na qual foi vice-campeão. Registro: 139356-G/SP

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